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Servidores da Suframa aprovam greve por tempo indeterminado

| Transportes Bertolini

Os servidores da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) decidiram na tarde desta sexta-feira (15), em uma Assembleia Extraordinária, que a categoria entrará em greve por tempo indeterminado a partir do dia 21 deste mês. A decisão, tomada por unanimidade, é um protesto pelo veto da presidente Dilma Rousseff à emenda 13 da Medida Provisória 660/2014, que tratava da reestruturação do Plano de Cargos e Salários dos servidores da autarquia.

A paralisação dos trabalhos por parte da categoria iniciará a partir do momento que todos os prazos legais forem cumpridos, o que deve acontecer até a próxima quinta-feira. De acordo com o presidente do Sindicato dos Servidores da Suframa (Sindframa), Anderson Belchior, o fim da greve só acontecerá se o veto presidencial for derrubado no Congresso Nacional, ou se uma nova Medida Provisória proposta pelo Executivo seja publicada pela presidente.

"Com o veto da presidente, tivemos mais uma comprovação de que a Zona Franca de Manaus não é uma prioridade para este governo. Dessa forma, os servidores decidiram entrar em greve até que essa situação seja resolvida de forma definitiva", afirmou Belchior. A ideia dos servidores é paralisar 70% das atividades da autarquia, mantendo apenas aquelas que são indispensáveis para a sociedade, como a liberação de medicamentos e alimentos, por exemplo. Comércio e indústria devem ser os primeiros setores a sentirem os efeitos da paralisação.

O presidente afirmou que sindicato já articula junto à bancada da região amazônica no Congresso para que o veto presidencial seja derrubado. O trabalho, no entanto, exige voto da maioria absoluta dos parlamentares, e o fórum é qualificado. "Nossos deputados e senadores garantiram apoio a nossa causa, pois sabem que é uma luta justa, em prol do desenvolvimento da nossa região. Estamos lutando agora para conquistar os votos dos parlamentares de outros estados, e a greve é importante para que sejamos ouvidos", disse.

Uma outra possibilidade para interromper a greve, segundo o presidente, depende principalmente do governo Federal. Ele propôs que o poder executivo edite uma nova Medida Provisória. "Essa seria uma forma do governo demonstrar que ainda há compromisso com a Zona Franca de Manaus e com o desenvolvimento da nossa região. Caso seja publicada uma MP que atenda às nossas reivindicações, a greve termina imediatamente", garante.

Histórico de luta

Essa não é a primeira vez que a categoria toma esse tipo de medida em busca de readequação salarial. Em 2013, após uma série de tentativas de negociação com o governo federal, os servidores também optaram por entrar em greve. O movimento, segundo dados da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), gerou um dano de R$ 100 milhões ao dia para a indústria local, a partir do 30odia. A greve foi interrompida após 47 dias, quando o governo propôs a criação de um grupo de trabalho para tratar com a categoria das questões salariais da autarquia.

"O problema é que, ao final do Grupo de Trabalho, sete meses depois, os representantes do governo anunciaram que não haveria nenhuma proposta por parte deles, e que ficaríamos sem uma solução em relação ao nosso pleito. Nos sentimos traídos pelo executivo, já que cumprimos todas as etapas do acordo, e o governo não cumpriu nenhuma delas", relembra. No momento de maior tensão no diálogo entre as duas partes, a Suframa foi chamada de "Pés de Barro" por parte dos representantes do governo.

Uma alternativa encontrada pelos servidores para solucionar o problema foi no Congresso Nacional. Parlamentares do Amazonas trabalharam na edição de uma Medida Provisória (MP) que tratava, entre outros pontos, da reestruturação salarial da autarquia. A MP 660/2014 foi aprovada pela maioria dos parlamentares na Comissão Mista do Congresso e na Câmara dos Deputados. Já no Senado Federal, ela foi unanimidade entre os senadores. A MP-660 foi sancionada pela presidente Dilma no último dia 8 de maio, mas a emenda que tratava da Suframa recebeu veto do executivo.